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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Criança especial - Ser diferente é normal

Como enfrentar o preconceito sofrido pelas crianças especiais.

Cristiane Rogerio, Deborah Kanarek, Malu Echeverria, Mônica Brandão e Patrícia Cerqueira. Colaborou Thais Lazzeri

"Mãe, eu sinto o preconceito no olhar das pessoas". Patrícia Hidershi, mãe de Tathiana, portadora de síndrome de Down, já ouviu essa mesma frase diversas vezes. A vontade de melhorar a qualidade de vida da filha e de outros deficientes fez com que ela integrasse a equipe do Instituto MetaSocial, uma ONG que desenvolve projetos na área de capacitação e informação do indivíduo. "Queremos minimizar o preconceito contra os excluídos", diz. O primeiro passo para transformar essa realidade é conscientizar
as pessoas de que ninguém é igual a ninguém. Parece fácil, não? Na opinião de Maria Luisa Sprovieri Ribeiro, professora da Faculdade de Educação da USP, o trabalho é árduo. Há certa incapacidade de aceitar o diferente aliada a um desconhecimento sobre as deficiências. Problema esse que a criança não tem. "Eles são desprovidos de preconceito. Percebem a diferença, mas não se recusam a conhecer o outro. Só se afastam depois que recebem informações – muitas vezes errôneas – dos pais", garante. A convivência entre eles é muito agradável. Por isso, a inclusão social é tão importante. Ganham ambas as partes. A criança com necessidade especial convive com outras da mesma idade e é entendida dentro daquele grupo. Já a dita "normal" percebe a riqueza da diversidade e compreende que todos são diferentes. Para os que ainda não perceberam que essa convivência é possível e necessária, há uma solução: a leitura. O livro Criança Genial (Ed. Paulinas), de Cláudia Cotes, presidente da ONG Vez da Voz (que promove eventos e integração entre crianças deficientes e não-deficientes) contempla essa diversidade. Em um universo em que borboleta e gaivota voam, mas nem por isso são iguais, a autora mostra que as crianças diferentes ensinam como a natureza é inteligente. "Esse livro é uma semente, um prefácio de uma história que precisa ser escrita com urgência no Brasil", diz Cláudia. Afinal, não á para ignorar 24 milhões de pessoas especiais.

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